As Grutas Marinhas: Benagil e as Grutas da Ponta da Piedade
Nenhuma imagem representa o Algarve tão bem quanto a cúpula dourada da caverna marinha de Benagil, uma catedral de arenito cor de mel com uma claraboia circular no teto e uma praia particular banhada por águas cor de jade. Ela fica na costa do Barlavento, perto de Lagoa, a poucos passos da EN125, e é o local mais fotografado neste litoral de 150 km. Mas há um detalhe importante a saber antes de estacionar a van: não é permitido nadar ou entrar na Gruta de Benagil a partir de um barco, e as embarcações turísticas não têm mais permissão para deixar passageiros no interior. Você só chega à areia com suas próprias pernas, o que é metade da diversão.
A uma hora a oeste, em Lagos, o promontório da Ponta da Piedade oferece um espetáculo diferente: um labirinto de formações rochosas ocres, arcos e túneis do tamanho de portas, que devem ser explorados ao nível do mar. Ambos os locais valem a pena visitar bem cedo, quando a luz ainda é fraca, a água está lisa como um espelho e as multidões ainda estão tomando café da manhã.
- Passeios de caiaque ou SUP até Benagil são a única maneira de realmente chegar até lá. Passeios guiados de caiaque e stand-up paddle partem da Praia de Benagil e da vizinha Praia da Marinha; reserve o primeiro horário do dia para águas calmas e uma caverna vazia.
- Passeios de barco permitem ver a caverna, enquanto caiaques permitem entrar nela: passeios em barcos abertos e RIBs saindo de Portimão, Lagos e Carvoeiro passam pela entrada e param para fotos, mas apenas embarcações a remo podem chegar à costa. Escolha dependendo se você quer a vista ou o banho de mar e a areia.
- A Ponta da Piedade de caiaque: passeios guiados de duas a três horas saindo da marina de Lagos serpenteiam pelas grutas que você nunca conseguiria alcançar de barco grande. A escadaria de cerca de 200 degraus que desce até a água é a alternativa gratuita se você preferir ficar em terra firme.
- Estacione a van com cuidado: o minúsculo estacionamento no topo da falésia de Benagil fica lotado no meio da manhã no verão; chegue antes das 9h ou use os estacionamentos maiores em Marinha e vá a pé. As ruas que descem até a praia são estreitas e íngremes, não foram feitas para veículos com distância entre eixos longa.
Golfinhos e passeios de barco em mar aberto saindo de Albufeira, Lagos e Portimão
O Atlântico quente ao largo do Algarve central é um verdadeiro paraíso dos golfinhos, e golfinhos comuns,-nariz-de-garrafa e-listrados, que vivem na região, são avistados na grande maioria dos passeios de verão. Catamarãs, barcos RIB e embarcações tradicionais de madeira partem diariamente das marinas de Albufeira, Lagos e Portimão; a maioria combina a observação da vida selvagem com um cruzeiro ao longo das falésias repletas de cavernas, para que você consiga duas experiências em uma única viagem.
Operadoras conceituadas seguem regras de observação responsável, mantendo distância e desligando os motores em vez de perseguir os cardumes, o que é mais respeitoso com os animais e, francamente, permite que você os observe por mais tempo. As excursões geralmente acontecem da primavera ao outono, com o mar mais calmo e as melhores chances no final da primavera e no verão.
- Escolha o barco de acordo com o seu estômago: os RIBs velozes são emocionantes e chegam rapidamente aos golfinhos, mas balançam bastante; catamarãs e barcos de passeio maiores são mais estáveis e melhores para crianças, viajantes mais idosos ou qualquer pessoa propensa ao enjôo.
- Combine golfinhos com cavernas: muitas saídas de Portimão e Lagos passam por Benagil e pelos arcos da Ponta da Piedade no mesmo passeio, o jeito mais eficiente de aproveitar meio dia fora da estrada.
- Estacionamento na marina e horários: as marinas de Albufeira e Portimão têm estacionamento pago próximo aos pontões; reserve de 15 a 20 minutos para encontrar uma vaga adequada para vans e chegar ao check-in antes das partidas matinais.
- Seja responsável: escolha operadoras que anunciem observação sem perseguição, com o motor desligado e em pequenos grupos. Avistamentos são comuns, mas nunca garantidos; portanto, encare-os como um bônus inesperado, não como uma certeza garantida pelo ingresso.
Lagoa da Ria Formosa e Ilha Deserta a partir do Sotavento Oriental
Troque as falésias pelas lagoas seguindo para o leste pela N125 até o Parque Natural da Ria Formosa, uma faixa de 60 km de ilhas-barreira, salinas, canais e lodaçais que se estende aproximadamente de Faro a Tavira. Este é o Algarve mais tranquilo, mais plano e rico em vida selvagem: flamingos, garças, bancos de ostras e os famosos camaleões vivem aqui, e as águas quentes e protegidas são um mundo à parte das ondas da costa aberta.
Passeios de barco partem de Faro, Olhão e Tavira rumo a uma cadeia de ilhas formadas por bancos de areia. A Ilha Deserta (Ilha da Barreta), o ponto mais ao sul do território continental de Portugal, é composta exclusivamente por dunas e oceano, com um único restaurante e sem estradas, enquanto a ilha de Tavira oferece longas praias com Bandeira Azul, acessíveis por uma curta viagem de balsa. É o contraste perfeito para o dia seguinte à adrenalina do promontório.
- Escolha sua cidade de partida: Faro e Olhão oferecem as travessias de balsa e passeios ecológicos de barco mais frequentes para a Ria Formosa; a balsa de Tavira é a maneira mais fácil de chegar à praia da ilha. Todas as três cidades têm estacionamentos a uma curta distância dos cais.
- Ilha Deserta para quem busca solidão: o barco que parte de Faro leva você a um banco de areia intocado, com um calçadão, um restaurante e nada mais. Leve água, proteção solar e dinheiro para a travessia, e verifique o horário do último barco de volta para não ficar preso lá.
- Passeios ecológicos e de observação de aves: passeios em barcos movidos a energia solar ou com pequenos motores deslizam pelos canais em baixa velocidade em busca de flamingos, aves pernaltas e as fazendas de frutos do mar; a primavera e o outono são as melhores épocas para observar aves migratórias.
- Passe a noite dentro da lei nas proximidades: a Ria Formosa é uma zona protegida; portanto, de acordo com as regras de 2021 de Portugal, não é permitido dormir na van nas margens da Ria. Em vez disso, use um camping ou uma Área de Serviço de Motorhomes (ASA) nos arredores de Olhão, Tavira ou Faro.
Caminhada pelas falésias: o Percurso dos Sete Vales Suspensos
Se há uma caminhada que merece um lugar em todo roteiro pelo Algarve, é o Percurso dos Sete Vales Suspensos. Esse caminho de aproximadamente 6 km no topo das falésias liga a Praia da Marinha, frequentemente considerada uma das praias mais bonitas da Europa, à Praia de Vale Centeanes, perto de Carvoeiro, passando por dolinas, arcos naturais e a claraboia que se abre sobre a caverna de Benagil, bem abaixo.
Trata-se de um percurso de ponto a ponto; portanto, a melhor opção ao viajar de motorhome é planejar o transporte de volta: estacione em uma das extremidades, faça a caminhada e, em seguida, retorne pelo mesmo caminho ou providencie uma carona de volta. Use calçados adequados, leve água e saia bem cedo ou bem tarde, pois quase não há sombra e o calcário branco reflete o calor de volta para você no auge do verão.
- Comece na Praia da Marinha: o início da trilha conta com um amplo estacionamento no topo da falésia (que fica lotado no final da manhã durante a alta temporada) e oferece as vistas iniciais mais de tirar o fôlego; a partir daqui, é uma caminhada suave, mas com algumas subidas e descidas, em direção oeste até Carvoeiro.
- Não se trata de um circuito: a trilha é só ida entre a Marinha e o Vale Centeanes; portanto, planeje uma caminhada de ida e volta de cerca de 12 km ou organize dois veículos e um plano de retorno.
- Cuidado com as bordas sem cercas: as falésias são espetaculares e, em grande parte, desprotegidas, com buracos de desmoronamento afastados da beira. Mantenha crianças e cães por perto e evite se aventurar para tirar a foto perfeita.
- Escolha o horário de acordo com a luz e o calor: parta logo após o nascer do sol ou no final da tarde, quando está mais fresco, para tirar as melhores fotos e evitar o brilho do meio-dia; não há água nem sombra na maior parte do percurso.
Castelos, ruínas romanas e as histórias por trás das pedras
O litoral do Algarve é o que aparece nos cartões-postais, mas sua história vive no interior. Estacione a van por uma tarde e você poderá percorrer a pé quase dois mil anos de civilização em camadas, desde banhos romanos até muralhas mouriscas, tudo a uma curta e fácil viagem de carro da costa central. As rodovias N125 e EN125 ligam esses locais, permitindo que você visite alguns deles em uma única manhã sem precisar passar por nenhuma rodovia com pedágio.
Silves, a capital mourisca do Algarve até o século XIII, é a atração principal. Seu castelo de arenito vermelho (Castelo de Silves) coroa a cidade velha, e a subida até as muralhas recompensa você com vistas sobre os pomares de laranjeiras e o vale do Arade. Nos arredores de Faro, as ruínas romanas de Milreu revelam banhos com piso de mosaico e um templo, um local tranquilo e frequentemente vazio, perfeito como primeira ou última parada perto do aeroporto.
- Castelo de Silves: a fortificação mourisca mais bem preservada da região; combine a visita com o centro histórico à beira do rio e a catedral gótica ao lado. Taxa de entrada modesta, passeio fácil de meio dia saindo de Carvoeiro ou Lagoa.
- Ruínas romanas de Milreu, perto de Estoi, a uma curta distância de Faro (FAO) e da N125; mosaicos, um templo e um complexo de banhos. Ideal no dia da chegada, antes de você se comprometer com uma viagem mais longa.
- Estacione com cuidado nas cidades antigas: os centros históricos de Silves e Faro têm ruas estreitas e íngremes, inadequadas para um motorhome; use os estacionamentos sinalizados nos arredores da cidade e vá a pé. Nunca planeje passar a noite nas praças da cidade.
- Combine as duas: de Milreu (Estoi) a Silves é uma viagem tranquila de uma hora pela N125/EN125, evitando os pedágios da A22 e passando pela região das cortiças e dos citros.
Rumo à Serra de Monchique: montanhas, fontes termais e Fóia
Deixe as praias para trás e o terreno se eleva rapidamente até a Serra de Monchique, uma cordilheira verdejante, coberta de eucaliptos e castanheiros, que dá a sensação de estar em outro país. Partindo de Portimão ou Lagoa, a subida até a cidade de Monchique é um dos melhores percursos curtos de carro do Algarve, com curvas fechadas, mirantes e barracas à beira da estrada vendendo mel, presunto e a aguardente local, o medronho.
Acima da cidade, Fóia é o ponto mais alto do Algarve, a 902 metros; em dias de céu limpo, o panorama se estende até a costa e, ocasionalmente, até o Atlântico. Mais abaixo, a pequena e histórica vila termal de Caldas de Monchique fica em uma ravina arborizada onde as fontes termais atraem visitantes desde a época romana, oferecendo um contraste fresco e sombreado ao calor do verão da costa.
- Fóia (902 m): dirija até o cume para desfrutar das vistas mais amplas do Algarve; leve uma roupa extra, pois faz visivelmente mais frio e venta mais do que na costa, mesmo no verão. A estrada é pavimentada durante todo o trajeto até o topo.
- Caldas de Monchique: uma pequena vila termal em um desfiladeiro verdejante; passeie pelas nascentes e pela praça sombreada, experimente as águas termais e compre a água mineral engarrafada produzida localmente.
- Cidade de Monchique: hospede-se aqui para desfrutar do ar da montanha; abasteça-se de mel local, castanhas (no outono) e medronho. Mercados e pequenos restaurantes fazem dela uma cidade genuinamente viva, e não um cenário turístico.
- Dirija com cuidado: as estradas de montanha são estreitas e sinuosas, com devoluções íngremes; vá devagar em uma van de laterais altas e use os acostamentos para deixar os carros mais rápidos passarem. Abasteça antes de subir, pois os postos de combustível são escassos no alto.
Dias de mercado e vilarejos no alto das colinas: Loulé, Olhão e as cidades do interior
Os mercados do Algarve são onde a região se abastece e representam a melhor maneira de abastecer a cozinha de um motorhome. O mercado coberto de Loulé, instalado em um impressionante edifício neomourisco, funciona na maioria das manhãs e se transforma em um mercado de rua muito maior aos sábados. Na Ria Formosa, os dois pavilhões de mercado de tijolos de Olhão, à beira-mar, são o lugar certo para peixes e mariscos, recém-pescados naquela manhã, com o pavilhão de frutas e verduras ao lado.
Entre os mercados, as cidades do interior convidam a passeios sem pressa. Loulé e Silves carregam seu passado mourisco no traçado de suas ruas; pequenas vilas no topo de colinas e as paisagens de sobreiros ao redor mostram o Algarve do dia a dia, com a colheita da cortiça, os citrinos e as amendoeiras em flor, um lado que a maioria dos visitantes que ficam na costa nunca vê.
- Mercado de Loulé: o mercado coberto em estilo neo-mourisco funciona na maioria das manhãs; chegue cedo. O grande mercado de rua de sábado, que se espalha ao redor dele, é o lugar ideal para planejar sua semana em busca de produtos agrícolas, queijos e artesanato.
- Mercado de peixe de Olhão: dois pavilhões à beira-mar na Ria Formosa, um para peixes e frutos do mar, outro para frutas e verduras; funciona apenas pela manhã e fica mais movimentado no início do dia. Imbatível para encher a geladeira da van antes de passar alguns dias fora da rede elétrica em um camping.
- Épocas das amêndoas e dos cítricos: a flor de amêndoa costuma branquear as colinas do interior no final do inverno (fevereiro); laranjas e limões são um cenário presente quase o ano todo. Os sobreiros, descascados e numerados, são uma visão clássica à beira das estradas do Algarve.
- Carnaval de Loulé: se você visitar a região na véspera da Quaresma (fevereiro), Loulé recebe um dos desfiles de carnaval mais conhecidos de Portugal, uma tradição de longa data que vale a pena incluir no seu itinerário.
Caminhada pela Via Algarviana e Logística Prática para Vans
Para os caminhantes, a Via Algarviana é a contrapartida no interior dos famosos trilhos costeiros, uma rota de longa distância que percorre cerca de 300 km pelo interior, de Alcoutim, a leste, até o Cabo de São Vicente, perto de Sagres, a oeste. Você não precisa percorrer todo o trajeto; ele está dividido em etapas e percursos circulares mais curtos, muitos dos quais passam pela Serra de Monchique, por paisagens de sobreiros e por tranquilas vilas nas colinas, de modo que você pode fazer um trecho de um dia e voltar para a van ao anoitecer.
Seja qual for o local que você escolher no interior, organize bem a logística. A lei portuguesa de 2021 sobre motorhomes proíbe dormir na van fora das áreas designadas em zonas protegidas e costeiras, o que é extremamente relevante aqui, considerando o Parque Natural da Ria Formosa e as áreas sensíveis da região como um todo. Planeje suas noites em torno de campings oficiais e ASAs, e resolva a questão do pedágio da A22 antes de sair da base.
- Via Algarviana: escolha uma etapa sinalizada ou um percurso circular perto de Monchique, Silves ou Loulé, em vez da travessia completa; comece cedo para evitar o calor e leve bastante água, pois as vilas do interior ficam distantes umas das outras.
- Onde pernoitar: use apenas campings e ASAs (Áreas de Serviço de Motorhomes); a lei de 2021 proíbe pernoitar em motorhomes fora das áreas designadas em zonas protegidas e costeiras. Muitas cidades do interior têm uma ASA com serviços de abastecimento de água e coleta de resíduos.
- Pedágios da A22 “Via do Infante”: o sistema de pedágio da A22 é exclusivamente eletrônico, sem cabines; sua van alugada precisa de um dispositivo de pedágio ou de um cartão registrado. Confirme com a locadora como os pedágios são cobrados antes da retirada do veículo ou simplesmente opte pela rota sem pedágio N125/EN125, que, de qualquer forma, é mais pitoresca para chegar aos locais no interior.
- Combustível, água e estações do ano: abasteça e reabasteça com água potável antes de seguir para a Serra de Monchique ou por estradas mais tranquilas do interior; a primavera e o outono são os meses mais agradáveis no interior, enquanto as tardes de pleno verão ficam realmente quentes longe da brisa costeira.
Onde o Atlântico ganha vida: surfando na Costa Vicentina
A costa oeste do Algarve é um mundo à parte em comparação com o calmo e dourado Sotavento, perto de Tavira. Aqui, na Costa Vicentina, a terra dá as costas ao clima mediterrâneo e encara de frente o Atlântico aberto, revelando falésias, campos de dunas e ondas que fazem desta uma das melhores costas para o surfe da Europa. Subindo de carro a partir de Sagres, a EN268 e as estradas secundárias em direção a Vila do Bispo, Carrapateira, Aljezur e Odeceixe unem uma sequência de praias que recebem ondulação o ano todo, com muito menos gente do que os pontos de surfe mais conhecidos da região central de Portugal.
Para uma viagem de motorhome, esse trecho é uma dádiva: você pode seguir o vento e a maré de uma praia para a outra em menos de uma hora de carro, com a prancha no teto e a roupa de neoprene secando no espelho retrovisor. Basta planejar bem onde vai dormir. Desde as regras de 2021 em Portugal, o acampamento livre em zonas protegidas e costeiras (que é exatamente o que a maior parte da Costa Vicentina é, dentro do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina) não é permitido; você dorme em campings ou áreas de serviço designadas para motorhomes, e não nos estacionamentos das praias.
- Praia do Amado: a praia de surfe mais emblemática da costa oeste, logo ao sul de Carrapateira. Uma baía ampla e arenosa com ondas consistentes que quebram na praia, um conjunto de escolas de surfe e um ambiente descontraído, ideal para iniciantes e surfistas de nível intermediário. Estacionamento amplo e exposto acima da praia para estacionamento diurno (não noturno).
- Praia da Bordeira: a vizinha e extensa praia do Amado, uma extensão espetacular de areia e dunas alimentada por uma lagoa de maré e pelo calçadão de Carrapateira. Mais espaço para se espalhar, ondas mais suaves na parte interna para iniciantes e uma reputação de ser desafiadora quando o swell está forte.
- Arrifana (perto de Aljezur): uma baía deslumbrante em forma de meia-lua, aninhada sob penhascos altos, com uma vila no topo da falésia repleta de restaurantes e um point de direita que funciona com ondulações maiores. A estrada de descida é íngreme e estreita, portanto, avalie bem o tamanho da sua van antes de se aventurar.
- Praia de Odeceixe: no extremo norte do Algarve, onde o rio Seixe deságua no mar, oferecendo um lado do rio (calmo, ideal para famílias) e um lado do oceano (surf de verdade). Uma das praias mais fotogênicas da costa.
Ondulação, Época e Escolas de Surfe: Acertando na Escolha
A Costa Vicentina está voltada para o oeste e ligeiramente para o norte, por isso recebe o swell do Atlântico quase o ano todo. O outono (aproximadamente de setembro a novembro) é a época ideal: swell limpo e consistente, água morna que ainda mantém o calor do verão e menos gente depois que os turistas de agosto vão embora. O inverno traz as ondas maiores e mais poderosas e os line-ups mais vazios, mas é frio, úmido e apenas para surfistas experientes. O verão (de junho a agosto) é a época ideal para iniciantes, com ondas menores e mais amigáveis, dias longos e as condições mais quentes, embora o vento possa fazer a retirada à tarde.
Se você está aprendendo ou quer encontrar o melhor pico do dia sem conhecer a região, inscreva-se em uma escola de surfe. As cidades de Sagres, Carrapateira, Aljezur e Lagos são todos centros importantes, e a maioria das escolas oferece um serviço de transporte em van que acompanha as condições do mar, levando o grupo para a praia que estiver com boas ondas naquela manhã, o que é uma vantagem genuína em um litoral tão variável.
- A realidade da roupa de neoprene: mesmo no auge do verão, o Atlântico aqui é revigorante, resfriado pela corrente ascendente. Uma roupa de 3/2 mm é padrão da primavera ao outono; no inverno, é recomendável uma de 4/3 mm mais botas. Escolas e lojas de aluguel em Sagres e Lagos fornecem o equipamento, então você não precisa trazer o seu próprio.
- Preste atenção ao vento, não apenas ao swell: as manhãs costumam ser mais calmas, antes que a “nortada”, o vento predominante do noroeste, ganhe força ao longo do dia. Surfe cedo e, depois, faça uma trilha pelas falésias ou encontre uma enseada protegida na tarde ventosa.
- Opções ideais para iniciantes: Amado, a parte interna de Bordeira e os trechos protegidos pelo rio perto de Odeceixe e Arrifana são os mais tranquilos. Evite dias de inverno com mar agitado em praias expostas, a menos que você realmente saiba o que está fazendo.
- Logística das aulas: um pacote padrão consiste em uma sessão de 2 a 3 horas, incluindo prancha e roupa de neoprene, com cursos de vários dias amplamente disponíveis. É aconselhável reservar com um ou dois dias de antecedência no verão; no outono e na primavera, muitas vezes dá para chegar sem agendar.
Cabo de São Vicente: o canto sudoeste selvagem da Europa
Onde a costa do surfe e a costa sul se encontram, a terra termina no Cabo de São Vicente, o promontório dramático e castigado pelo vento além de Sagres, que é o ponto mais a sudoeste da Europa continental. Os romanos chamavam-no de “fim do mundo”, e, ao ficar nas falésias abaixo do farol enquanto o Atlântico se agita a mais de 60 metros abaixo, ainda parece ser assim. Esta é a clássica peregrinação para ver o pôr do sol no Algarve, e com razão; chegue uma hora antes do anoitecer, proteja-se do vento e observe o sol mergulhar diretamente no oceano.
De van, o cabo é um desvio fácil: uma estrada curta e bem pavimentada sai de Sagres, passa pela Fortaleza de Sagres e segue até o farol, com um grande estacionamento diurno no final. Costuma haver uma famosa van de bratwurst perto do farol, uma instituição peculiar, mas não há estacionamento noturno; por isso, hospede-se em um dos campings da região de Sagres e dirija até lá para ver o pôr do sol.
- Combine com Sagres: a Fortaleza de Sagres, banhada pelo vento, e as amplas baías de Tonel e Mareta ficam a poucos minutos de distância. Tonel é uma praia exposta, ideal para o surfe; Mareta é mais protegida e boa para um mergulho mais tranquilo.
- Horário do pôr do sol: este é, sem dúvida, o melhor ponto para apreciar o pôr do sol no Algarve. Chegue cedo para garantir vaga no estacionamento, vista-se com roupas bem mais quentes do que o clima do dia sugere e espere encontrar gente no verão; a vista encanta a multidão.
- Avifauna e migração: o cabo é um renomado corredor de migração de aves de rapina e marinhas, com maior movimento no outono, quando os observadores de pássaros se reúnem no promontório para observar bandos descendo pela costa.
A Rota Vicentina: Caminhando pela costa entre as ondas
Uma viagem de surfe precisa de dias de descanso, e a Costa Vicentina oferece as melhores caminhadas litorâneas do sul de Portugal. A Rota Vicentina é uma rede de trilhas de longa distância que percorre a costa sudoeste, e sua estrela é o Trilho dos Pescadores, que contorna o topo das falésias por caminhos arenosos usados há gerações pelos moradores locais para chegar aos recantos de pesca. Você não precisa percorrer todo o trajeto; escolha um único trecho costeiro perto de onde seu veículo está estacionado e você encontrará flores silvestres na primavera, paisagens espetaculares à beira das falésias, enseadas escondidas e quase ninguém por perto.
Para quem viaja de van, a trilha é ideal porque passa pelas mesmas vilas que são o centro da cena do surfe: Odeceixe, Aljezur, Arrifana, Carrapateira, Vila do Bispo e Sagres. Assim, você pode estacionar, percorrer um trecho e estar de volta à van à tarde. Há também o Caminho Histórico no interior, uma alternativa mais tranquila e verde quando o litoral está muito ventoso.
- Trilho dos Pescadores: a trilha costeira dos pescadores, dividida em etapas diárias fáceis de percorrer entre as aldeias. A areia fofa sob os pés torna a caminhada mais cansativa do que a distância sugere; por isso, comece cedo e leve água; há pouca sombra.
- Melhor época para caminhar: a primavera (aproximadamente de março a maio) é maravilhosa pelas flores silvestres e temperaturas amenas; o outono também é uma boa opção. As tardes de verão podem ser quentes e muito ventosas no topo das falésias expostas.
- Opções fáceis: o circuito de Carrapateira, que liga Amado e Bordeira pelo calçadão e pelo percurso no topo das falésias, é curto, espetacular e combina perfeitamente com uma sessão de surfe pela manhã. O trecho de Odeceixe até a costa é outra opção tranquila e favorita.
- Lembrete sobre a zona protegida: toda a trilha fica dentro do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e da Costa Vicentina. Siga apenas pelas trilhas sinalizadas, leve seu lixo com você e lembre-se de que não é permitido dormir na van nos pontos de partida das trilhas; utilize as áreas de serviço para motorhomes (ASAs) e os campings próximos a Aljezur, Carrapateira e Sagres.